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Robôs e a indústria, inimigos ou aliados?

Pessoa gerindo equipamentos industriais através de aplicativo em tablet

A robótica industrial chegou para ficar. Qual impacto dessa nova realidade em nossa sociedade e no seu negócio?

Humanos e robôs

O avanço da tecnologia sempre impactou modelos de trabalho, desde a revolução industrial, transformando o cenário das relações de emprego. Fato é que o avanço tecnológico gerou a Indústria 4.0 e também a sociedade 4.0, hiperconectada, exigente, com novas habilidades, aspirações e exigências.

Nesse universo disruptivo, os robôs ganharam destaque e seguem avançando, assustando, em especial, os trabalhadores que temem ser trocados por “engenhocas”, capazes de realizar suas funções, com mais rapidez e precisão.

De acordo com o norte-americano Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos institutos de tecnologia mais respeitados do planeta, a inteligência artificial (IA) vai impactar o mercado de trabalho, mas não é comparável à inteligência do ser humano. Segundo o instituto, robôs podem lembrar de tudo, fazer contas, reconhecer padrões e dados que pessoas não enxergam, podem até competir no xadrez, mas são ‘estúpidos’.

A análise pressupõe que os robôs vão substituir funções apoiadas em atividades repetitivas que não contribuem para a evolução profissional. Consultores estimam que os trabalhadores terão de se direcionar para atividades mais estratégicas e as mudanças tecnológicas vão promover o surgimento de novas carreiras.

Braços automatizados em processo fabril.

De fato, as máquinas estão aprendendo, substituindo o conhecimento humano, que passa a ser executado por sistemas inteligentes, contudo por meio de inputs de informações realizados por humanos. De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, profissões que requeiram criação, abstração, desenvolvimento, e tenham de lidar com situações novas e serviços para pessoas, tendem a ser as mais crescentes e mudarão o perfil do trabalhador do século XXI, tais como, engenharia, ciência de dados, computação, matemática, gestão estratégica e vendas.

E mais: sobreviverão profissionais com formações específicas, mas que tenham habilidades em ciência de dados e alto grau de abstração numérica, prestadores de serviços ganharão espaço em um mercado crescente, formando uma nova base de trabalhadores.

Por que se importar

A solução para amenizar os impactos da robótica está nas pessoas. Ao menos é o que prega o Fórum Econômico Mundial. Segundo ele, afinal a tecnologia foi criada por elas e para elas, então a robótica tem de servir a essas mesmas pessoas. Para isso, deve haver um preparo tecnológico na base educacional, um novo perfil, muito mais expandido.

A indústria será muito diferente, segundo o fórum, considerando que empregará cada vez menos com toda a revolução tecnológica. É muito provável que o futuro do emprego não estará nas indústrias e não teremos mais uma sociedade industrial e, sim, uma sociedade de serviços.

Nesse futuro que já se faz presente, o poder estará na Inteligência, na forma como a sociedade lida com toda essa tecnologia para gerar em um mundo que abriga cada vez mais ciclos menores de economia, lutando com a volatilidade que a própria tecnologia provoca.

Se a nova geração não se preparar para esse modelo, haverá um gap significativo na formação de mão de obra nos próximos cinco a dez anos. A sua atualização tecnológica é urgente, em especial sobre a experiência com máquinas e conhecimentos.

Diante do despreparo, os recursos humanos acabam sendo inegavelmente substituídos por robôs. Analistas alertam para o fato da urgência de mudança na formação técnica e profissional para que a substituição de humanos por robôs em tarefas repetitivas promova funções que requererem capital intelectual e intervenção humana. Essa adaptação acontece por meio da mudança na formação tecnológica desses futuros profissionais.

Como equilibrar essa relação

Para o MIT, cada vez mais os robôs farão parte da vida das pessoas. Isso porque já estão rompendo as fronteiras das fábricas, onde atuam isolados, para ocuparem residências e ambientes interativos (pessoais e profissionais) com humanos.

A indústria vem avançado nesse conceito. Exemplo disso são os chamados robôs colaborativos, os cobots, que começam a ganhar a atenção do mercado, porque são capazes de conviver com humanos de maneira segura. Equipados com sensores que sinalizam a proximidade e a movimentação de pessoas, eles não representam riscos e possibilitam o trabalho com humanos no modelo de colaboração em variadas atividades em empresas.

Os chatbots, robôs que não têm forma e que interagem com humanos, estão invadindo sites de empresas de variados setores, oferecendo atendimento ao cliente 24 horas, esclarecendo dúvidas e orientando as pessoas de maneira interativa. Sem contar com assistentes virtuais, cada vez mais humanos na linguagem e nos movimentos, como a Magalu, do Magazine Luiza.

O fato de os robôs parecerem com o homem causa o efeito de empatia, de acordo com o MIT, e ajuda nessa convivência harmoniosa. Mas nem sempre isso acontece quando eles têm outra aparência. Em teste científico realizado no laboratório do MIT, com hexbugs, pequenos robôs em forma de barata, as pessoas com menos empatia batiam neles.

Menina japonesa interagindo com robô humanóide em Tóquio.

Mas ainda há ceticismos sobre um convívio natural. De acordo com analistas do setor, muito influenciadas por obras de ficção, na indústria de entretenimento, as pessoas temem ser dominadas por robôs. E o MIT garante que é uma realidade muito distante, porque eles não estão preparados para isso e defende que o verdadeiro sentido da inteligência artificial é complementar os humanos e não dominá-los.

As análises sobre o futuro da relação entre homens e robôs na indústria seguem em discussão, mas grande parte delas convergem para a necessidade de o empregador investir não somente no desenvolvimento tecnológico das fábricas, mas também, e especialmente, dos seus colaboradores. Somente por meio da especialização, acreditam consultores, eles poderão afastar o fantasma da substituição de suas atividades repetitivas por algoritmos e se tornarem estratégicos.

O funcionário da indústria deve buscar cada vez mais esse desenvolvimento, incluir a relação humana como diferencial próprio, que não poderá ser substituída, ao menos em um futuro próximo. Nesse cenário, a tendência caminhará em direção à formação de uma sociedade voltada à prestação de serviços especializados e não mais restrita à produção.

O UOL DIVEO pode ajudá-lo a extrair o máximo da relação entre homem e máquina. Faça parte dessa revolução.

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